CRÍTICA PANICO 5: Michael Meyrs que se cuide


Em 1996, “Pânico” chegou aos cinemas para revolucionar o gênero do terror, e mais especificamente o sub-gênero do slahser. Trazendo consigo críticas ao gênero, criticando principalmente seus clichês e se aproveitando destes para construir sua própria narrativa de uma metalinguagem sem igual. 
Em 1997, o longa ganhou uma sequência e mais duas sequências com “Pânico 3” em 2000 e “Pânico 4” em 2011. Após longos dez anos de espera, eis que a franquia retorna às telas de cinema, mas não com “Pânico 5” e sim, com um filme intitulado, simplesmente, “Pânico”. 
Dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, a dupla responsável pelo ótimo “Casamento Sangrento”. “Pânico” 2022 ou até mesmo, Pânico 5, como você prefira chamar, está situado dentro da timeline de uma das franquias de terror mais bem sucedidas da história. Aqui temos o retorno de Ghostface, atrás de outro grupo de jovens, encabeçado por Sam (Melissa Barrera) e sua irmã, Tara (Jenna Ortega). 

A questão é que aqui temos uma pegada diferente. Apesar do retorno de personagem clássicos, como a querida protagonista Siney Prescott (Neve Campbell), a ácida repórter Gale Weathers (Courteney Cox) e o policial Dewey Riley (David Arquette). Os três protagonistas da série original estão muito bem alocados em uma trama que foca no novo, ao mesmo tempo em que utiliza elementos do passado. A questão do longa é que apesar de referenciar os filmes anteriores, o roteiro não se prende nessas referências para poder construir sua narrativa focada em uma nova geração. 
O que é necessário entender sobre a franquia é que cada filme vem com a intenção de criticar alguma coisa. Como mencionado anteriormente, o primeiro filme de 96 veio para criticar os clichês do gênero e subverte-los, enquanto o segundo longa de 1997 destrinchou o arquétipo de protagonista nesse meio caótico e como as sequências funcionam dentro do gênero. “Pânico 5”, então, está aqui para reaver os clichês antigos, compará-los com os novos e transforma-los em algo próprio. Então temo três tipos de clichês: os antigos, os novos e os próprios e todos se completam para criar algo único e atual. 
O filme também crítica os fãs tóxicos, aquele grupo de fãs que acreditam ser maiores que as franquias pelo simples fato de serem fãs há muito tempo , por consequência, roteiristas, atores e diretores são tolhidos, incapazes de inovar e criar algo novo e, ao mesmo tempo em que o longa critica esse tipo de fã e esse tipo de construção cinematográfica baseada unicamente no que as pessoas querem assistir, ele consegue trazer algo extremamente novo, mas que se assemelha ao antigo e é aí em que percebemos que a franquia precisava ser atualizada. 

A dupla de diretores consegue apresentar a franquia para uma nova geração, ao mesmo tempo em que escreve uma carta de amor aos filmes anteriores, ao mesmo tempo em que recuperam elementos estéticos e metalinguísticos da franquia como um todo, dando espaço para suas próprias ideias e inovação, abrindo portas para que a franquia seja de uma nova maneira, mas sem perder sua essência.  
O longa é uma grata surpresa e se encaixa perfeitamente no estilo de uma das maiores franquias de todos os tempos, provando, mais uma vez, o porque “Pânico” 25 anos depois de seu lançamento continua tão emblemático. Mas, se você está chegando agora, provavelmente se sentirá deslocado, pois você precisa compreender o contexto na qual a franquia se encaixa e é por isso que ela é brilhante. 

Nota: 10


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